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sábado, 7 de novembro de 2009

Os talebans da Uniban

Como era se esperar, a Universidade Bandeirante decidiu expulsar a aluna Geysi (Geisy?) Arruda. Ela fazia curso de Turismo e, em outubro passado, sofrera assédio dos colegas que estudam e achincalham no próprio campus. Tudo por ela ter ido à faculdade com um vestido curto.

Heitor Pinto Filho, reitor da Uniban, foi candidato a vice de Maluf na eleição de 2002. Isso explica muita coisa.

Mas não tudo. O que explica mesmo a expulsão da garota é o fato de a Uniban ser uma empresa privada que tem por objetivo primeiro dar lucro e não ensino. Essa é sua ética, essa é sua moral, esse é seu Direito, essa é sua justiça. A presença de Geisy passou a ser incômoda porque expunha de forma negativa a imagem da universidsade e isso é fatal para uma empresa no mercado. Sem falar que Geysi passou a ser uma denúncia explícita, quase nua, contra o tipo de formação humana oferecida nas dependências daquela universidade particular.

Fosse uma escola pública, seus dirigentes e seus alunos não seriam tão reacionários. Os primeiros, porque os interesses financeiros não prevaleceriam na análise do fato e na decisão. Os últimos, porque muitos deles não viriam de famílias que dão mais valor ao que as pessoas usam do que ao que pensam, nem estariam revoltados por não poder tomar uma cerveja depois da aula porque tiveram que deixar na bilheteria da faculdade quase todo o dinheiro que seus pais ganham no mês.

A verdade é que a Uniban ficou manchada para sempre com a perseguição de seus alunos a Geysi. E também com sua expulsão, que acabou por dar contornos nítidos, finais e inequívocos do caráter reacionário, atrasado, vergonhoso e inescrupuloso da direção daquela entidade capitalista de ensino.

Dizem que a melhor forma de ensinar é dar exemplos.

Os alunos da Uniban aprenderam bem a lição dos gestores da Uniban. A caça às bruxas voltou, está liberada.

Geysi deveria dar graças a Deus por não ter que ficar para terminar a lição que seus ex-colegas aprenderam.

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Kali.

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sábado, 31 de outubro de 2009

Se eu tivesse diploma de jornalista, fosse entrevistar uma professora da Uniban e lá me encontrasse com o Valmir.

 

Eu me dirigiria à Universidade Bandeirantes, procuraria a professora de Sociologia com quem teria marcado um horário para falar sobre a agressão à aluna do vestido curto, me mandariam aguardar numa sala de aula vazia e lá encontraria o Valmir limpando o chão.

Oi, Valmir! Tudo bem, meu amigo? Há quanto tempo! Bom te ver!
Oi, Kali! Você por aqui? Vou bem, e você? Jogando bola ainda?

Tudo certo. Batendo uma bolinha de vez em quando. Vim fazer uma entrevista com uma socióloga daqui da Uniban sobre o negócio da agressão à Geyse Arruda, a aluna do vestido curto.
Vê só, cara! Que coisa maluca, não! Mas acho que você não vai conseguir falar com essa mulher, não.

Por quê?
Acho que os donos não vão liberar. Eles não querem divulgação. Para eles, quanto menos se falar nisso, melhor. O que você vai perguntar para ela?

Vou pedir para ela falar sobre o que aconteceu. Tentar explicar a coisa.
Kali, não precisa entrevistar uma socióloga para saber porque aconteceu aquela zorra toda com a garota.

Ah, é? Então me explica, que até agora não entendi o que aconteceu. Por que toda aquela confusão por causa de um vestido curto?
Vai dizer que não sabe? Viadagem, meu camarda. Viadagem pura. Me diz uma coisa: um material daquele, um homem de verdade vai chamar de puta? Iria espantar a criança, não? Então. Eu conheço meu gado, camarada. Os rapazes dessa universidade, metade fornece o três-meia-zero e a outra não recusa. Dão com força!

Três-meia-zero?
É. É maneira de falar do fiofó. Um trem redondo não tem 360 graus? Fugiu da escola?

Tudo veado? Mas os caras são musculosos, não parece...
E você acha que aqueles músculos são para as mulheres? Aquilo é para agarrar macho, meu camarada, para não fugir de jeito nenhum.

Porra, Valmir, você fala umas coisas... você é muito preconceituoso. Se fossem donzelas, eles não usariam aquelas tatuagens de cabra macho?
Mas você não entende nada de sociologia! Aquilo é para identificar as bibas. Os grupos têm que ter identificação. Como é que um cara vai saber que o outro é veado? É aí que entra a tatuagem, meu camarada. Identificação. É signo que se chama aquilo. De vez em quanto eu passo pelo corredor e ouço o professor falar sobre isso.

A coisa não é assim. Às vezes o cara só quer aparecer, ficar bonito na foto, só isso. Tem gente que acha bonito pintar aquela merda na pele, ué! Aí põe a porra da tatuagem.
Põe a tatuagem, a porra vem depois. Vai por mim. Essas Cocas são tudo Fanta.

Você tá falando muita merda, Valmir. E as meninas? Porque chamariam a outra de puta gratuitamente?
Inveja. Aposto com você que a menina agredida tem a bunda mais redonda do que as outras. Sabe como é. Inveja mata. Vai ver que também tem um namorado bonitão. A mulherada fica para morrer com um troço desse, fica histérica. Outra coisa: a menina iria para uma festa depois da aula. Toda produzida. Nem toda menina tem grana para sair. Para entrar nessa universidade, tem que deixar tudo na entrada, no caixa. É inveja, só pode.

Não pode ser só isso.
Não, não é. Tem também esse negócio de evangélico, você sabe. Fundamentalismo. A igreja católica passou por isso tem uns quinhentos anos, já superou, mas agora tem o fanatismo evangélico. Isso tem a ver também.

Tá bom, Valmir. Acho que a professora não vem mesmo.
Não te falei? Conheço meu gado.

Valeu, meu irmão. Aquele abraço.
Falou, meu camaradinha. Falei demais, né? Você não usa tatuagem não, usa?

Sai fora!

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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

O ano em que não houve Olimpíadas no planeta Guerra.

Além, muito além daquela estrela que azula no universo, nos cafundós dos céus, no quinto dos espaços siderais, havia um planeta que girava e se esquentava em torno de uma bolona de fogo. Esse planeta era chamado Guerra. Tinha esse nome porque seus habitantes viviam guerreando entre si.

Tanto brigavam que os habitantes dos planetas vizinhos falavam para eles, em guerrês: "Puxa vida! vocês vivem em guerra, hein!". E eles respondiam: "Vocês queriam que vivêssemos onde, mané? E vê se não torram a porra do saco!"

Apesar da eterna beligerância, a cada metade de oito anos havia uma trégua. Os jogos de guerra dava lugar à guerra dos jogos. Era o ano das Olimpíadas no planeta Guerra.

Havia os países ricos e os países pobres, e os jogos eram sempre feitos nos países ricos.

Até que um dia uma cidade chamada Riu, ex-capital de um país de segunda, foi a escolhida para sediar os Jogos Olímpicos daquele esquentado planeta. Embora conhecida como "Cidade Espetaculosa", a urbe era coberta de miséria e pobreza por todo lado, de cima a baixo, de fora a fora. Os morros, principalmente, eram tomados de pobres e favelas, como era conhecido o amontoado de barracos onde vivia a pobreza.

O povo todo, tanto os ricos como os pobres, incluindo os remediados, todo mundo ficou muito feliz com a escolha da cidade porque ela seria a primeira de um país mulambento a sediar os jogos em toda a história do planeta Guerra. Assim, foi todo mundo sambar no asfalto.

Acontece que o velho líder dos pobres reuniu o povo todo na praça e falou:

- Vejo que os pobres e ricos da nossa cidade e do nosso país estão muito felizes porque sediaremos os Jogos Olímpicos do ano de 200 milhões e dezesseis mil do Fim da Grande Paz do nosso planeta. Pois saibam todos que, como líder máximo do povo pobre, devo alertá-los de que tudo não passa de ludibriagem dos países ricos. No momento há uma grande crise econômica rondando nosso planeta, e por isso escolheram essa cidade que, dentre todas as que concorreram, era a menos preparada para os jogos, a que tinha mais por construir e aplicar o dinheiro parado das grandes empresas e fazer render mais dinheiro para continuarem as guerras depois, com maior intensidade. Todos sabem que não temos nenhuma tradição nesses jogos. Mesmo com 500 bilhões de habitantes, somos ultrapassados em número de medalhas de titânio por uma merreca de país como Bacu, que tem apenas três bilhões de almas lavadas. É uma medalhinha ou outra que ganhamos nas Olimpíadas, sem falar que em tais jogos nunca ganhamos uma de titânio no esporte que mais entendemos, o pé-na-bola. E toda a bagunça que vão fazer não vai mudar em nada a situação miserável em que vivemos, mas será uma gastança e roubalheira sem fim dos ricos e dos seus políticos. Portanto, como líder espiritual e político de todos vocês, saibam que acabo de decidir que não vou permitir que aconteçam nesta cidade os Jogos Olímpicos...

Um rapazote interrompeu o velho líder:

- Tá doido, véi? Não dá para voltar atrás. As Olímpíada já é!

O velho respondeu:

- Ainda não, moleque. Eles dependem de nós para construir cada palmo de pista e cada assento de arquibancada. E não vamos fazer. Assim eu decidi e assim será cumprido. Para o caso de fazer valer minha decisão, tenho o apoio do meu braço armado, o chefe da milícia comunitária, o comandante Trafy Kant.

- Carái!, disse o rapaz.

O morador K. Brito ponderou:

- Senhor! Eles nos atacarão com caças!

Com toda sua experiência, temperança e astúcia, o ancião respondeu:

- Não se preocupe, meu bom homem. Águias não caçam insetos.

Um outro rapazote protestou:

Pô, véi! Quer dizer que não vamos ver a gostosona da Balalaika no salto com vara?

O velho, com paciência e ponderação, falou pausadamente:

- Pega a vara do salto e enfia no cu, meu jovem.

E assim ficou determinado. Depois de comunicar a decisão ao seu povo, o velho líder escolheu uma criança do sexo masculino como emissário para comunicar a decisão ao prefeito e ao chefe do Comitê Olímpico Nacional.

O garoto dirigiu-se ao Palácio dos Podres Poderes onde se encontravam aquelas autoridades e repassou a decisão do líder dos pobres.

O prefeito voltou-se para o menino:

- E pode me dizer onde faremos os Jogos Olímpicos, criatura?

O menino respondeu:

- Ele disse que é para fazer na casa do caralho!

Naquele ano não houve paz nem Jogos Olímpicos no planeta Guerra. A guerra continuou e ninguém nem reparou. E a cidade chamada Riu nem chorou.

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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Podofilia e pedofilia

imagem: Revista Joyce PascowitchAndré Schiliró

1. Podofilia

Mulher é um bicho gostoso, mas muito esquisito. Não sei se foi o preço do calçado que caiu, se o poder de compra que subiu, se é a moda ou simplesmente elas resolveram subir nas tamancas, o fato é que a mulherada deu de andar de salto alto em tudo quanto é hora e lugar. No trabalho, nos bares, nos lares, nos angares, em todos os lugares. Coisa de doida!

Antes usado em ocasiões especiais, hoje o salto alto virou pulo de dez em onze mulheres que tropeçam por aí.

Cena 1: estou eu indo comprar o jornal na banca da praça onde jurei, um post atrás, não comprar nunca mais uma gazeta nos próximos vinte anos, e eis que me deparo com uma idosa sendo socorrida pelas pessoas, inclusive pela dona da banca, que não vale nada mas eu gosto de você. Não sei se se chamava Terezinha de Jesus, mas o fato é que levou queda e foi ao chão, e chorava de dor, coitada! Um outro idoso é que me chamou a atenção quanto à cauda do zombo, digo, causa do tombo: "pudera! com uma plataforma daquele tamanho!" Não é que a idosa estava andando com uma sandália de plataforma!? Fala sério, vovó!

Sena 2 (em homenagem a Sasha): no centro de Vitória, indo para o trabalho, reparo várias mulheres de salto alto pelas ruas. Não é da minha conta, mas como têm coragem de usar salto em vias e calçadas com as de Vitória, onde não dá para andar nem de botas? Só tatu de chuteiras consegue andar à vontade aí. Vocês é que não conhecem! Então. De repente, repouso meu olhar sobre uma menina que caminhava se contorcendo a cada passo, a cada irregularidade no piso. Estava de salto alto, coitada. Outra coisa: o traje e o local não tinha nada a ver com o pisante. Não se iludam, meninas! Homens não entendem de moda, mas não superestimem nossa inguinorança no assunto! Posso assegurar que qualquer um de nós sabe perfeitamente que mochila, camiseta e bermuda não combinam com scarpin preto envernizado e salto alto. Fala sério, mulher errada, digo, mulherada!

E lá ia ela, toda torta, tombando para lá e para cá, a cada buraco, a cada fenda, a cada passo em falso, a cadafalso.

Meninas, cuidem de seus pés, tornozelos, colunas e do próprio andar. Deixem a vaidade um pouco de lado quando ela não faz bem ou quando ela já não consegue manter vocês descansadas ou mesmo de pé. Não comprem toda idéia e todo sapato bonito que vocês veem pela frente. Se comprá-los, saibam onde usá-los. Na dúvida, poupem tostões e torções. No escuro, todos os gastos são perdas.

2. Pedofilia

Tô para dizer que essa campanha contra a pedofilia está levando a uma histeria hipócrita, demagógica e sem sentido. Tem servido para muitos políticos religiosos, pricipalmente evangélicos (vide o senador magna malta, digo, Magno Malta), angariarem votos dos crédulos. Será que esse pessoal defende mesmo as criancinhas? Eu não apostaria nisso, nem de longe. Trago comigo uma sábia advertência: se, à noite, você for assediado por um homem com uma arma na mão, negocie; se o que ele trouxer na mão for uma bíblia, cai fora!

Se eles querem mesmo proteger as crianças, porque então não garantem emprego e salário decente a seus pais, evitando que caiam na prostituição? Porque não combatem as causas da pedofilia em vez de ficarem alardeando suas consequências em busca de projeção e popularidade em cima da desgraça dos pequenos? Uma família estruturada não cai na mão de pedófilos sem-vergonhas. Todos estão embarcando nessa onda. Tarados, pervertidos, mal-amados, pastores, padres, delegados, juízes...

Esse senador Magno Malta se apresenta à nação como combatente contra a pedofilia. Tudo bem. Mas ele apareceu no escândalo do Senado dando emprego para um músico do seu grupo gospel de merda. Dinheiro do contribuinte. Seduzir, bolinar e estuprar crianças é abjeto, claro. Mas botar no cu dos pais delas pode? Então tá, satanás!

Vejam agora esse caso do pai italiano acusado de assediar sua própria filha. Se a questão era proteger a menina, porque o casal que o acusou não vai agora consolá-la de seu desespero de ver o pai preso e de sua aflição de ficar longe dele? Cambada de moralistas hipócritas vagabundos. Odeio essa gente estandarte da moral e dos bons costumes.

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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Se eu tivesse diploma de jornalista e encontrasse Belchior antes do Fantástico e de Sônia Bridi

E aí, Belchior?! Sumido, hein, camarada! Vai uma entrevista?
Saia do meu caminho, Kali! Eu prefiro andar sozinho. Deixem que eu decida a minha vida.

Como chegou aqui no Uruguai?
Dentro do carro, a cem por hora, ó meu amor!

Direto?
Foi! Por medo de avião.

Junto com a esposa.
É. Da outra vez, quando eu desapareci, ela arranjou um amante.

Estão falando de você o tempo todo no Brasil, do seu sumiço...
Eu sei! No Corcovado, quem abre os braços sou eu. Copacabana, esta semana, o mar sou eu.

E por que decidiu vir logo para o Uruguai?
Um cara que transava à noite no Danúbio azul me disse que faz sol na América do Sul.

E essa roupa que você está usando, esse frio todo?
Kali, há tempo, muito tempo que estou longe de casa e nessas ilhas cheias de distância o meu blusão de couro se estragou ôu ôu ôu...

E vai ficar para sempre por aqui?
Eu sei que o calor é uma coisa boa, mas também sei que qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa.

Não volta mais para o Brasil?
Kali, não preciso que me digam de que lado nasce o sol porque bate lá o meu coração! Tenho falado à mulher companheira, quem sabe lá no trópico a vida esteja a mil... Mas vou ficar nesta cidade. Não vou voltar pr'o sertão, pois vejo vir vindo no vento o cheiro da nova estação.

Esse frio não te faz pensar?
O tempo andou mexendo com a gente sim, kali. Gente de minha rua! Como eu andei distante! De qualquer forma, trago na cabeça uma canção do rádio em que um antigo compositor baiano me dizia: "tudo é divino, tudo é maravilhoso"...

E a que conclusão você chegou?
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo, tudo, tudo, tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos, ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais...

Fique em paz, Belchior. Eu vou indo. Um abraço cálido.
Um abraço, Kali. Não se preocupe, meu amigo, com os horrores que eu lhe digo. Isso é somente uma canção. A vida realmente é diferente. Quer dizer, a vida é muito pior...

Obrigado pela entrevista, Belchior! Você responde às perguntas como que por música!
Tchau, Kali! Vê se desaparece de vez em quando.

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terça-feira, 11 de agosto de 2009

Descomprando jornal

Acontece que diariamente eu ia à banca de jornais da pracinha para comprar a gazeta do dia. Bem, eu poderia fazer assinatura do jornal para gastar menos, mas gostava de aproveitar a ida à padaria e ler o jornal pela rua, na volta. Além do mais, eu estava ajudando alguém que trabalhava e nunca li em nenhuma edição a notícia de que eu tinha sido atropelado.

Mas já tinha ouvido falar que a dona da banca era uma piranha que dava para todos os homens do bairro. Isso jamais me incomodou. Eu pagava, ela me tratava com carinho e me dava a única coisa que eu queria dela: o jornal.

Até que um dia eu cheguei com o meu jeito de sempre chegar, estendi a mão com o dinheiro. Nem precisava dizer qual jornal eu queria, ela já sabia. Fiquei aguardando. Ela já ia pegando o tablóide para mim, quando um senhor que eu nunca havia visto por lá, passou sua mão contendo 1 real por cima da minha e pediu a Tribuna. Vocês acreditam que ela largou meu jornal para atender o infeliz?

Bem educado que sou, fiquei na minha, calado em minha ira. O cara ainda comentou alguma coisa com ela sobre e por trás de mim, ao que ela respondeu: "Não esquenta, não! Esse aí é sangue bom!"

Sangue bom o cacete! Meu sangue é A+ e já tive hepatite.

Resumo da história: nunca mais apareci por lá para comprar o jornalzinho da coroa de programa, com todo respeito a quem se prostitui. Como disse ontem mesmo um amigo meu, as prostitutas servem para evitar que as filhas de quem as condena sejam estupradas. Gostei da definição.

Até fiz as contas. Se eu ficar 20 anos sem comprar o jornal dela, como estou pensando, ela vai deixar de receber exatos R$ 11.320,00.


Como vocês podem ver, eu não reajo, apenas me vingo.

Mas isso é só na hora da raiva. Daqui a pouco eu volto a comprar jornal com ela. Vinte anos não demoram tanto assim :)

Kali.

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terça-feira, 4 de agosto de 2009

Se eu tivesse diploma de jornalista e Ana Paula Padrão me concedesse uma entrevista

Imagem: Jokbox (obrigado, Jok!;) (esse cara desenha pra caramba!)

Ana Paula Padrão! Como você está, menina!?
Estou bem, Kali, obrigada! Muito bem! Conquistei um prêmio maravilhoso essa semana, você viu?!

É? Que prêmio?
Fui eleita a jornalista mais confiável da imprensa brasileira! Tá bom pra você?

Jura? Nem acredito! (risos)
Hahahaha... Pela terceira vez!

Ah, isso é tranquilo! Se você noticiar que eu morri, eu me enterro na mesma hora! Você é uma literal "paulada" na concorrência!
Não exagera! Me diz uma coisa: por que você acha que as pessoas vêem verdade em mim?

Acho que é porque a mentira é feia, não?
(risos) fala sério! E então? vamos começar a entrevista? Meu tempo tá um pouco apertado.

Seu jeans também! (risos) Tudo bem! Vamos lá! Agora é que você vai falar umas verdades! (risos)
Manda!

Você nasceu no dia de Natal, em Brasília, não é?
É. Porquê?

Por nada. A entrevista não começou ainda. Foi só para eu saber seu signo. Sagitário. Quando você trabalhou na Globo, você foi escalada para cobrir a guerra do Afeganistão, não foi?
Não só foi, como fui! (risos)

Mas logo você? Não tinham um canhão na redação? (risos)
Tinha uns lá, mas negavam fogo! hahahaha

Boa, boa. E por que você saiu do SBT?
Ah, Kali! O Sílvio queria tratar o SBT como uma família e lá nem todos são santos.

Já pensou em abrir seu próprio jornal? O que você diria de Ana Paula patrão?
Seria apenas um trocadilho. A primeira notícia que daria seria "abri!" e a segunda "fali!" Não tenho jeito para mandar. Só notícias.

Já disseram que você se parece com a Maga Patalójika?
Muitas vezes! É por causa do cabelo?

Não.
Dos olhos?

Não.
Da boca?

Não.
Do quê, então?

Você enfeitiça.
Lindim!

Beijinho
Beijinho.

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sábado, 1 de agosto de 2009

Se eu tivesse diploma de jornalista e Chico Buarque de Hollanda fosse meu caro amigo

Imagem: memória cinematográfica e afins

Salve, Chico!
Kali! Como é que vai?

Amigo, há quanto tempo!
Um ano ou mais!

Posso sentar um pouco?
Faça o favor! O que você anda fazendo?

Para dizer a verdade, estava à toa na vida aí me chamaram para fazer essa entrevista. Agora sou jornalista. E você, como está?
Estou bem. Venho até remoçando, me pego cantando, sem mas nem porquê.

Grande Julinho de Adelaide! Onde você arranjou esse nome?
Adotei esse pseudônimo na época da ditadura para driblar a censura.

E conseguiu!
Claro! Fácil. Toda censura é burra, Kali! Censura é exatamente a limitação da inteligência dos outros para ela não suplantar a sua. Entendeu?

Não! Acho que vou cortar essa sua resposta! (risos)
Entendeu!

Temos duas coisas em comum, Chico. Fizemos Arquitetura...
Não cheguei a concluir o curso.

Sei disso! A música e a poesia agradecem o abandono! ...e somos tricolores! Sou branco, de cabelos pretos e a barba ruiva, se deixar crescer, e você é branco, de olhos verdes e cabelos castanhos (risos))
Rapaz, nem me fale do Fluminense! Deixe em paz meu coração que ele é um pote até aqui de mágoa.

E como andam as peladinhas de sábado à tarde?
Nem pensar! Nesse horário eu jogo bola (risos).

E aquela mulher que você pegou no mar?
Nem me fale! Foi na água, mas o amor é bom mesmo quando em terra (risos). Sei não, acho que Deus me deu mão de veludo pra fazer carícia.

Tudo bem, Chico. Então vamos mudar de assunto. O Collor está voltando, você viu?
Pois é, rapaz! Que coisa! Armou daquela vez como se fosse a última...

Chico, me diga por que a mídia tanto bate em Lula e ele nem tchum? Continua lá em cima nas pesquisas e o povo apoiando.
Seguinte, Kali. De muito gorda a porca já não anda, de muito usada a faca já não corta.

Caramba! Que bonito! Isso daria uma música, sabia?
Fala sério! Pai, afasta de mim esse Kali!

Você se acha tímido?
Não, mas tenho vergonha de dizer isso em público.

Chico, para não dizer que não falei de valores, você e Vandré protagonizaram dois embates musicais gigantescos, um em 1966 e outro em 1968. A Banda contra Disparada, depois, Sabiá e Caminhando.
Não é isso. O que chamam de confronto só existiu por conta dos festivais, já que as músicas concorriam umas com as outras, mas as músicas não brigam umas contra as outras. Só quando tocadas ao mesmo tempo.

Por falar nisso, Zuza Homem de Mello disse que A Banda havia vencido o festival por 7 a 5 e que você foi até a comissão dizendo que não aceitaria a derrota de Disparada. É vero?.
Deixa isso para lá. Estão falando alto pelos botecos. O que será que andam sussurrando em versos e trovas? O que não tem certeza nem nunca terá!

Quando você e Vandré falam do povo, acho que são visões totalmente diferentes do assunto, apesar de ambos estarem do lado dele.
Diga.

Acho que você vê o povo de maneira parternalista e Vandré, revolucionária. Seu trabalhador é passivo, o de Vandré, ativo; Seu trabalhador é lírico, o de Vandré, heróico. Você tem uma inveja dessa gente que vai em frente sem nem ter com quem contar; para Vandré, essa gente não é boi, mas boiadeiro laço firme e braço forte de um reino que não tem rei; para você, Pedro pedreiro penseiro fica esperando o trem; para Vandré, esperar não é saber, quem sabe faz a hora, não espera acontecer. O que você me diz?
Que somos todos iguais, braços dados ou não.

Grande Chico!
Apareça!

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quarta-feira, 29 de julho de 2009

Coisas de criança

Voltando a postar figurinhas com diálogos. Veja o que as crianças têm a dizer clicando nas imagens. :)


Imagens: Donald Zolan. Textos: Kali

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quinta-feira, 16 de julho de 2009

Se eu tivesse diploma de jornalista e marcasse uma entrevista com uma garota de programa.

Imagem: Cool Tattoos Pictures

Boa tarde, Lavínia! Vamos começar a entrevista?
Vamos lá, gato! Tudo bem com você, Kali?

Tudo certo! Então você é uma garota de programa?
Sim. Mas gostaria de deixar bem claro que sou garota de programa porque sou de classe média. Se fosse de classe baixa, seria piranha mesmo.

O que te fez optar por essa carreira tão dadivosa?(risos)
A grana, com certeza. Acho que deveriam até mudar o termo "garota de programa" para "garota de pró-grana" (risos).

Não te incomoda ficar dando para qualquer um?
Não. Eu não dou, kali. Eu vendo.

E quando foi que você entrou nessa vida?
Nunca, porque isso não é vida! (risos). Na verdade, comecei a dar financeiramente há pouco tempo. Mas o que interessa isso aos seus leitores? O que eu posso dizer é o seguinte: o que faço vai ao encontro do mais íntimo desejo de uma mulher. Toda mulher gosta de dar. O desejo inconfessável de uma toda mulher é ser puta. O que falta é apenas o direito de escolha. Se uma garota de programa pudesse escolher com quem quisesse transar, ela seria a mais perfeita realização da mulher. Falei?

Não sei. Você que está dizendo. Vocês que são mulheres que se entendam. Mas esse negócio de toda mulher ser libidinosa está mais para um desejo do homem do que da própria mulher, não?
Pode ser. Mas uma hora eles se entendem sobre isso.

Lavínia é seu nome verdadeiro?
Nome de guerra.

Porque as garotas de programa têm nome de guerra?
Para terem um pouco de paz, você não acha?

E por que exatamente esse nome? Tem algum significado?
Tem, sim. É em homenagem ao "lavou, tá novo", entendeu? (risos). Tinha até uma máquina de lavar com esse nome.

E qual o seu verdadeiro nome?
Lavínya, com "y" (muitos risos).

E quanto você cobra por programa?
Para você é de graça, lindo!

Acabou com a entrevista, sua... fofa!
Vem cá, meu tchutchuco!

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terça-feira, 14 de julho de 2009

Se eu tivesse diploma de jornalista e Diogo Mainardi fosse minha anta.

Sr. Mainardi, vai uma entrevista para o Blog Kálido?
Que porra é essa?

Um gravador.
Tô perguntando sobre esse blog aí que você falou.

Ah, é um blog que eu tenho. Mas não se preocupe, que ninguém lê; e quem lê não comenta; e quem comenta não volta; e quem não volta...
Puta que o pariu! Pergunta logo!

O que você faz da vida, Sr. Mainardi?
Falo mal dos outros, não sabe? Não lê o que escrevo na revista Veja?

Não vejo a Veja, nem leio. Então é lá que o senhor fala mal de tudo e de todos, especialmente do Brasil e dos brasileiros?
No caso, não falo mal, pois falar a verdade não é falar mal, é falar bem. Gostou, mané?

Não. O senhor diz que brasileiro é atrasado, mal-educado, não inventa nada, não produz arte, não produz ciência, não entende de medicina, de literatura, não sabe nada, é um povo ignorante, estúpido...
Ei! Você falou que não lê a Veja!

É vedade! Não leio, não vejo, nem escuto. Peguei umas coisas na internet para fazer a entrevista, só isso, Sr. Mainardi. O senhor falou mal até de Santos Dumont, não foi?
Falei, falei mesmo! Santos Dumont foi um brasileiro idiota, como os demais. Inventou o avião três anos depois do avião ter sido inventado pelos americanos.

Então, de qualquer forma, o senhor admite que ele era bem avoado. O senhor falou mal também do Chico Buarque de Hollanda, recentemente.
O cara é uma fraude.

Fraude por quê? Porque ele se diz de Holanda e é do Brasil?
Porque ele não entende nada de literatura. Os livros dele são horríveis, só muda o título. O tema é sempre o mesmo.

É, não tinha reparado. Que nem aquela porcaria do Shakespeare, que só falava de reis e rainhas, não é verdade? Balzac é outro. Sá falava da sociedade parisiente
Isso aí. Com a diferença que Shakespeare e Balzac não escreviam em português e, por isso, escrevia bem.

Rapaz, ainda bem que você nunca falou mal de mim!
Quanto a isso, não se preocupe, Kali. Você acha que eu iria perder tempo falando de um bosta como você?

Pô, obrigado, Sr. Mainardi! Só um porém: porque o senhor fala mal dos brasileiro sendo brasileiro?
Fazer o quê? Por aqui minha mãe deu, por aqui Dioguito nasceu.

Voltando ao assunto do pau que dá em Chico dá em Francisco, para criticá-lo, o senhor deve ter um obra literária melhor do que a dele, suponho eu, em minha alegre, pura e besta ignorância.
E tenho.

Desculpe, mas que obra é essa?
"Lula é Minha Anta!"

Uau! Anta sou eu, que nunca a li, senhor Mainardi. O senhor é um gênio da literatura brasileira!
Isso não é muito difícil de conquistar quando se vive em meio a uma sub-raça. E vê se pára de me chamar de "senhor".

Desculpe. De que forma o senhor quer que eu chame o senhor?
De "Führer".

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Kali.

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quarta-feira, 8 de julho de 2009

Se eu tivesse diploma de jornalista e entrevistasse FHC

Fala, FHC! Como anda essa vida de vagabundo, digo, de aposentado?
Olá, Kali! Tá tudo bem! Veio me entrevistar? Eu gosto de uma entrevistazinha.

Eu também, mas gosto também de fazer entrevistas grandiosas. Uma hora eu acho alguém.
Não começa, Kali.

Você e Serra formam uma dupla porreta, hein! Você propondo a liberação da maconha e o Serra proibindo fumar em locais públicos. Isso é combinado, não? Fala a verdade!
Não enche, vai.

a crise econômica mundial arrebentou com você, não?
Nem tanto. Eu não tinha muito dinheiro na bolsa.

Estou falando das suas idéias, não do seu dinheiro. Socorro do Estado para salvar empresas que iriam salvar a economia, estatização de bancos e de megaempresas. E tudo isso na capital do capitalismo. Pirou o cabeção, né, ô liberal!?
Pula essa, Kali. Pula.

O que você tem a dizer de seu sucessor, o Lula?
Como pode isso, né? Um cara semianalfabeto fazendo esse sucesso todo, com essa popularidade toda. Assim não dá! Assim não é possível! Onde foi que eu errei, Kali?

Quem faz as perguntas sou eu, mas a minha tese é de que você foi um presidente metido a besta e Lula uma besta metido a presidente. Uma besta presidente é muito mais popular do que um presidente besta, você não acha?
Faz sentido.

Você pensa em voltar à presidência?
Eu gostaria. Ainda tem muita coisa lá para vender, Kali! Nossa mãe!

E você acha que conseguiria os votos?
Bom, tem um monte de empresa que poderia me ajudar. A Vale, CSN, a Telebrás, a Usiminas, a Cosipa, a Telemar... esse pessoal todo me ajudaria, com certeza. Mas defendo a candidatura do Serra. Vou pedir para ajudarem a ele.

Você acha que a pesquisa sobe a serra, digo, o Serra sobe na pesquisa?
Acho que sim. O povo vai ver que ele só é feio quando se olha para ele. Mas não morde, não!

E sua filha fora do casamento? Porque a imprensa, os jornais, ninguém fala sobre isso?
Faça-me o favor, né, Kali! Por que iriam falar? Há muita coisa mais importante no mundo do que um descendente de Fernando Henrique Cardoso, não?

Ok. Eu já estou indo. Obrigado pela entrevista. Tenho uma outra agora. Estou fazendo um conjunto de entrevistas sobre as relações de poder.
Muito bem. Obrigado pelo privilégio. E quem será o próximo entrevistado?

Uma garota de programa. Vai ser foda. Tchau.

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sábado, 4 de julho de 2009

Se eu tivesse diploma de jornalista e José Sarney fosse meu chegado

Foto: AP

Oi, Sarney! Como vai, rapaz!
Kali, meu velho! Vou mais ou menos. E você, como anda?

Assim, Sarney, ó! Dou um passo, depois dou outro e por aí vou!
Perguntei como você está, cabra!

...ah! Ando correndo muito, Sarney. Vamos logo para a entrevista? E esses escândalos aqui no Senado? O que Vossa Influência tem a dizer para seus eleitores e meus leitores?
Olha Kali, esse negócio sempre existiu por aqui. Vem de há muito tempo. Para você ter uma idéia, olha só quem já foi presidente do senado: Antônio Carlos Magalhães, Jader Barbalho, Edison Lobão, Renan Calheiros, Garibaldi Alves. Viu que time? E porque eu vou ter que pagar o pato?

Não seria porque o povo resolveu apresentar agora a conta e Vossa Inocência está na presidência? Qual o problema?
Que povo, kali? O povo está devidamente pacificado e controlado por Lula e pelo PT. Quem está fazendo esse estardalhaço todo é essa turma que fica o dia inteiro no computador digitando #forasarney, e também a imprensa, claro. Rapaz, como eu me arrependo de ter distribuído aquele montão de concessões de Rádio e TV! Ô pessoalzinho ingrato! É tudo armação para me tirarem do poder porque o PMDB se alulou à lua, digo, se a leoa aleluia, digo, se aliou a Lula. Posso não sair bem na foto, mas do poder é que não saio! Sempre agi assim. Hay oposición, soy gobierno!

Mas a pressão pode aumentar contra Vossa Resistência.
Que nada! Para esse pessoal aí da imprensa e da internet é só Hugo Chaves dizer que o Senado brasileiro é papagaio do governo americano que todos saem em minha defesa e em defesa do Senado.

Mas seus colegas também acusam Vossa Conivência!
Kali, por acaso Vossa Impertinência acha que eles têm algum interesse em consertar alguma coisa por aqui? Faça-me o favor! Eles próprios se beneficiam de tudo isso! Querem apenas me botar de escanteio, só isso. Ou você acha que só eu tenho parente empregado aqui e eles não? Kali, seres humanos não dão em árvore! O único ser humando que dá em árvore é a Jane, do Tarzan. Todo mundo nasce de alguém. É só pegar o DNA dos funcionários que muitos vão dar como parentes os que me acusam. Sua Saliência Renan Calheiros não sustentava uma filha fora do casamento e não tem um filho fantasma aqui? Sua Saliência Fernando Henrique Cardoso, que também foi senador, não mantinha duas filhas, uma fora e outra dentro do casamento? Os meus, pelo menos são todos legítimos, têm linhagem. É tudo uma farsa para me tirar do poder. Tudo cena. Em vez de Senado, deveriam chamar a casa de Cenado. São verdadeiros marimbondos de fogo!

Mas Vossa Inadimplência é dono de uma mansão e não declarou no Imposto de Renda!
E daí? Nunca declarei o Maranhão e nunca ninguém falou nada sobre isso até hoje.

Vossa Intransigência não teme Agripino Maia, Arthur Virgílio...?
Kali, você acha que um pai esperava boa coisa de um filho quando deu a ele o nome de Agripino? Se você tivesse um filho, você daria o nome de Agripino a ele?

Tá doido? Só se o moleque fosse muito safado.
Então, pronto! Por falar nisso, quando é que você vai ter um filho?

Eu tava querendo pegar a Jane, mas não sei subir em árvores e ela anda com as macacas! De qualquer forma, Vossa Permanência não acha que deveria haver uma mudança radical no Senado?
Claro! Deveria haver uma reforma geral nesta casa, sim! E não estou falando de mudar cortinas, não! Tem que mudar os carpetes também! Isso aqui está fedendo. Acho que tem senador urinando pelos cantos.

Tem ainda a senadora Heloísa Helena? Ela também quer Vossa Insistência saia.
Ela quer que eu saia, mas queria que o senador Luiz Estevão ficasse, ora bolas. Dizem que ela deu para ele, mas acho que foi só o voto contra a cassação. Você já viu Heloísa Helena usando roupa de manga comprida?

Não, Sarney. Mas o que isso tem a ver?
É que ela fala pelos cotovelos hahahaha Gostou do xiste?

Ok, Sarney. Agradeço Vossa Eloquência pela entrevista, mas vou ficando por aqui.
Não me diga que você vai ficar aqui nessa merda!

Não, não! Estou falando da conversa. Eu vou é rachar fora mesmo!
Faz bem, Kali. Quem tem que ficar aqui sou eu.

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Kali.

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sábado, 27 de junho de 2009

Se eu tivesse diploma de jornalista e Michael Jackson fosse meu amigo

Michael Jackson: The "last interview" - A "última entrevista" com Michael Jackson.

Hi, Mike! How doído you do?
Hei, Kali! Há quanto tempo não te vejo! Desde que veio ao mundo, boy! Realmente estou sentindo algumas dores, mas daqui a pouco my doctor chega. Você é que demorou para chegar! O que aconteceu?

Cara, quase não chego! Eu vinha por seu parque, a "Terra do Nunca". Fiquei quatorze anos lá até me dar conta e a volta. Ainda bem que o tempo não passou tanto assim. Vim para uma entrevista, pode ser?
Of course! stay à vontade, querido! Estou com muita saudade do Brazil. Hoje deve estar better do que quando estive lá, não? Havia um cara escroto, um tal de Sarney. Ainda bem que isso é passado.

Nem tanto, Mike. How do you se sentido às vésperas da nova turnê pelo world?
Puxa, Kali! Você não sabe a ansiedade! Não vejo a hora de tudo começar! Estou morto de vontade de reencontrar meus fãs. Mas preciso controlar essa ansiedade e descansar.

Isso mesmo! Descanse em paz e boa viagem para você. Agora me diga: todos sabem das músicas que você canta. Mas quais você ouve? Quais os grupos de sua preferência?
Oh, Kali! It's so hard falar sobre isso. Eu sempre gostei dos Menudos e do The New Kids on the Block. Na Música Popular Brasileira, eu gostava muito do grupo Dominó. Mas todos esses grupos cresceram, digo, terminaram. Uma pena.

E quanto a Lise Marie? Todos gostariam de saber porque você se separou dela.
Não gosto de tocar nisso, mas foi pelo mesmo motivo que me fez casar com ela: era muito criançona.

Elvis aprovaria esse casamento?
Se Elvis tivesse vivo, eu não me casaria com ela. Eu me casaria com ele hahaha. I love him!

Why você esconde seus filhos das pessoas?
Isso não é verdade. Nãos escondo meus filhos das pessoas. Escondo as pessoas do meus filhos. É diferente.

E quando você pendurou seu caçula na janela do Hotel. Você ficou crazy naquela hora, cara?
Estava só começando a ensinar o passo "moonwalk" para ele. Para fazer esse passo, tem que saber flutuar, tá ligado?

Legal. Eu vou ficando by here. Já está na hora de ir e seu médico está chegando. Obrigado por tudo.
Oh, tudo foi so great! Bye. I See you later!

Kali.

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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Se eu tivesse diploma de jornalista e Barack Obama fosse estadista

Entrevista kálida com Barack Obama
E aí, Barack? Tudo very well?
Hi, Kali! Tudo right! Como vai?

Não estou indo, Obama! Estou vindo! Difícil chegar aqui!
É mesmo uma shit! Todo americano gosta de pintar a casa de branco e confunde mesmo!

Estou falando da segurança.
Uai? digo, Why? Eu que sou preto cheguei, porque você não poderia chegar? É só ter pá e ciência. Por falar nisso, olha só a sujeira que vc deixou no salão oval! Mas don't worry que eu mando um funcionário branco tapar o buraco e limpar. Vamos lá! Que bons winds o trazem?

Gostaria de fazer uma entrevista com Vossa Excelência. É sóbrio esse negócio do Irã! Pode ser?
Manda aí, guy!

Como presidente dos Estados Unidos, o que tem a falar about o que está acontecendo lá?
Não vou me intrometer. Esse é um problem do people do Irã. São eles que devem escolher o presidente deles, mais ninguém. Para mim, não faz diferença quem seja eleito. Eu não participei das eleições de lá, então não posso falar nem reclamar. Mesmo porque eles também não votaram para presidente dos Estados Unidos para quererem uma opinião minha a respeito. Nesse sentido, eu falando sobre as eleições do Irã e uma cow cagando é a mesma coisa.

Você não acha que houve fraude?
Não, I don't. Lá aconteceu algo parecido com o que aconteceu aqui. O povo votou em massa justamente para evitar uma fraude. Lá, como aqui, também fizeram questão de ficar na fila para garantir um resultado limpo. A diferença é que aqui fizeram isso porque realmente houve fraude, na eleição de Bush.

Tell me, você preferiria conversar com Ahmadinejad ou com Mousavi?
Como I said to you, não faz diferença for me.

Ei, man! Tell me more, tell me more!
Tenho que respeitar a decisão do people iraniano, Kali. Se eles elegessem uma árvore, seria com ela que iria dialogar. E se os republicanos dissessem que eu estaria falando sozinho, eu responderia: "estou falando sozinho, mas à sombra!"

Caramba! Bonito isso, Mr. president! Gostei. E sobre Michael Jackson, tem algo a dizer?
Nada. Para mim, foi um negro que passou em branco.

Valeu, Obama. Dá um pulinho lá no Brazil, cara!
Vou pensar, Kali, mas tenho que resolver muitos problemas por aqui. O capitalismo tá desabando e tá very hard de administrar. Manda um abraço for Lula.

Se ele aparecer por lá, mando sim. It´s mais fácil você abraçá-lo pessoalmente quando ele pintar por aqui.
Haha. You are the cara!

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quarta-feira, 24 de junho de 2009

As eleições do Irã e a classe média do Brasil

Não sabia que as iranianas eram tão bonitas! Alá é Pai! Ou seriam só as eleitoras de Mousavi? Claro que não. É porque a imprensa ocidental só mostra fotos de eleitoras de Mousavi. Não deixa de ser uma forma de sedução para uma causa política.

Mas minha opinião sobre as eleições do Irã é definida, e é a que segue.

O atual conflito representa uma disputa de poder entre as classes médias e as classes trabalhadoras do povo iraniano. A expressão política desse confronto encontra-se na dissidência entre os aiatolás Rafsanjani e Khamenei, politica e respectivamente representados por Mousavi e Ahmadinejad, ou ao contrário, aqueles representando estes, sei lá, pois líderes espirituais sempre estão à frente de algum interesse, de alguma ideologia. Deus sempre foi laranja do homem, pode ter certeza disso. Pobre da nação cujo senhor é Deus.

A imprensa brasileira e a classe média que representa estão francamente favorável ao oposicionista Mousavi, que levanta suspeita de fraude numa eleição em que o vencedor teve mais de 60% dos votos de um colégio eleitoral de 46,2 milhões de eleitores os quais participaram ativa e massivamente do pleito (tipo os americanos em relação à eleição de Obama). A imprensa brasileña que apóia Moussavi é a mesma que mostrou como golpista a esquerda mexicana que também reclamou de fraude nas últimas eleições, nas quais o candidato da Direita venceu com uma diferença de apenas 1% dos votos. Dois pesos e duas notícias.

Sinceramente, não acredito que houve fraude nas eleições. Não a ponto de alterar o resultado final. Ahmadinejad ganhou por uma diferença muito grande, por isso não dá para a oposição apontar o dedo sujo de tinta na cara dele. Ahmadinejah conta com o ódio de Israel e da classe média brasileira por dois motivos. Respectivamente: por que ele só se curva para Meca e porque se parece com Lula e com Chaves no quesito "você é da ralé".

O fato de muitas seções terem mais votantes do que eleitores cadastrados pode ser porque lá, ao contrário daqui, o eleitor pode votar em qualquer lugar. Então, da mesma forma, deve haver seções com menos votantes do que eleitores cadastrados, pela lógica.

E porque eu acho que o resultado expressou realmente a vontade da maioria do povo iraniano, penso também que Mousavi é o responsável pelo que está acontecendo, exatamente por ser irresponsável a ponto de incitar pessoas desarmadas a enfrentar um regime beligerante a troco de uma ilusão, de uma mentira. Um oportunista que coloca pessoas inocentes na linha de tiro apenas por que quer colocar um aiatolá no lugar de outro e um covarde - ele próprio - no lugar de quem, a meu ver, foi legitimamente eleito. Ou ele pensa que Ahmadinejad vai entregar o poder por causa de acusação de fraude, de manifestações de rua e de "revolução pela internet"?

Comovente esse apego, essa paixão, essa piedade, esse amor e essa solidariedade que a classe média brasileira tem pelo povo cubano, pelo povo venezuelano e, agora, pelo povo iraniano. Nossa! Daria até para me convencer, se eu não já soubesse o ódio que ela sente pelo povo brasileiro, expresso, por exemplo, na odiada, odiosa e previsível cantilena semanal de Diogo Mainardi da revista Veja. Argh!

A pobreza política e cultural da arruinada e endividada classe média brasileira é expressão direta de sua pobreza econômica. O pequeno-burguês admira o burguês porque quer um dia ser igual a ele e odeia o proletário por estar a cada dia mais parecido com este.

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quinta-feira, 11 de junho de 2009

A Petrobras e a nova imprensa

 

Aconteceu um fato deveras interessante e importante esta semana na mídia escrita, falada, lida e escutada. Em seu blog Fatos e Dados, a Petrobras publicou perguntas de jornalistas endereçadas à estatal, junto com as respostas, antes mesmo que os jornais o fizessem. Foi o maior olé que se viu desde que Pelé deu aquela volta em Mazurkievsky.

E o que isso significa?

Comecemos pelas questões mais importantes e por ela terminemos.

Primeiro.
Trata-se de uma forma inovadora e bastante eficaz de que se serviu uma instituição pública para se defender da imprensa malsã. Quem acredita que a mídia seja confiável, isenta, imparcial ou não tenha interesses políticos a defender, viu através dessa manobra que a quarta empresa mais respeitada do mundo não pensa dessa forma e ainda ofereceu um instrumento inédito e válido para se proteger do quarto poder. Agora ficou mais difícil a imprensa manipular os fatos e as fontes. Só está chiando porque realmente perdeu uma margem de manobra para fazer valer seus interesses e suas más intenções.

Esse recurso já está sendo usado. Vejam aqui no Luis Nassif On Line a forma brilhante, polida e educada com que o assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, mandou a Veja e Diogo Mainardi tomarem no cu, utilizando o mesmo método.

Segundo.
A Petrobras nos apresenta a "meta-imprensa" - a "imprensa da imprensa". Prazer. E isso só foi possível graças à senhora INTERNET que permite a "para-imprensa", a "imprensa paralela" ou a "imprensa de cada um", a verdadeira liberdade de imprensa, expressa nos milhares de blogs, posts e paginas espalhadas pela rede mundial de computadores que permite a pessoas humildes e simples como eu ;) manifestar e publicar a própria opinião sobre tudo, sem serem jornalistas e sem precisar da tutela dos jornais, rádios e tvs que até então detinham o monopólio da informação porque detinham a exclusividade da publicação. Isso é muito valioso. É a democratização da comunicação. Que perdure para sempre, amém. Ferramentas como Blogger, Twitter, Orkut, Myspace, Flickr, Youtube etc. vieram para dar a cada um um pouco do poder que só a imprensa possuía. Agora, até a Petrobras é imprensa e tem seu próprio "jornal", o blog Fatos e Dados. E fez bom uso dele. O meu é o blog kálido, como podem ver :)

Terceiro.
Essa iniciativa permite ver as reais intenções de um veículo de comunicação na abordagem de um tema e na publicação de uma matéria, oculto pela edição antes da publicação. A Petrobras nos brindou com o "making of da imprensa".

Vamos praticar um pouco.

Há poucos dias, o jornal A Gazeta aqui de Vitória promoveu um fórum para ouvir a opinião dos leitores sobre o veto do governador Paulo Hartung à lei que proibia o fumo em ambientes públicos. Um leitor (sigilo da fonte :) escreveu dizendo que o governador agiu assim porque não conseguiu reunir condições morais e políticas para impedir a poluição tabagista do cidadão comum enquanto permitia que a Vale e a ArcelorMittal Tubarão jogassem toneladas de partículas sólidas sobre os lares e pulmões capixabas.

Então. Foi publicada. Só que os sacanas suprimiram as palavras "Vale" e "ArcelorMittal", poderosas empresas da mineração e siderurgia e clientes de publicidade do jornal.

Portanto, não fosse este exemplo de "meta-imprensa" e isso não se tornasse público como agora faço, talvez você não entenderia bem porque essas duas empresas poluem impunemente o meio ambiente capixaba há décadas e vão continuar fazendo isso décadas afora por mais que o governo do Estado e o jornal A Gazeta digam combater a poluição.

Se você pensa que um jornal não se vende, que só vende espaço no jornal, saiba que o jornal é o próprio espaço que ele vende. Capitou?

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terça-feira, 2 de junho de 2009

Vôo aí e não volto mais.

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terça-feira, 26 de maio de 2009

Orgia juvenil

Aqui perto, em Aracruz, teve o caso do vídeo pornográfico feito por estudantes menores. Três meninas e um menino da escola Misael Pinto Netto foram protagonistas de um filme porno-infantil, vê se fode um negócio desse, digo, vê se pode um negócio desse! Parece que há participação de outros dois menores. A mulher que denunciou o caso diz que está sendo ameaçada de morte. A filha dela estuda na mesma escola dos jovens que filmaram as cenas de sexo feitas por eles mesmos.

Segundo a imprensa, foram três vídeos feitos e divulgados por meio de celulares entre os estudantes na própria escola. Agora, os vídeos estão correndo a internet, claro.

O problema é o seguinte. Primeiro, que não há muito o que fazer senão despejar moralismo em cima da fodelança infantil que anda solta em praticamente todo o mundo civilizado nos dias atuais, num crescente. Tem acontecido muito. A novidade talvez seja a divulgação por celulares. Acho que esse negócio de as meninas darem para os meninos e os meninos comerem as meninas se dá por dois motivos. Um, pela chamada "grande conquista feminina" de ir para o mercado de trabalho e ter que abrir mão da vigilância sobre os filhos. Mesmo que elas se sintam culpadas, deveriam dizer em alto e bom tom: "conquistei a minha liberdade e, de quebra, a dos meus filhos!". E pelo visto, não adianta nem um pouco dar a eles celulares para tentar vigiá-los de longe. Dois: embora a gravidez na adolescência esteja ainda acontecendo, o controle humano sobre a concepção e as doenças venéreas tornou o sexo, literalmente, uma brincadeira de criança. O sexo se tornou bananal, digo, banal. Agora, não há retorno. O que era certo se tornou retrógrado, e o que era errado se tornou moderno. O que foi santo um dia tornou-se profano e o que era profano é feito todo santo dia.

Segundo, perde um pouco o foco a campanha eleitoreira de políticos oportunistas como a do senador Magno Malta de combate à pedofilia. Não por perda da importância e da necessidade de campanhas desse tipo, mas pelo desvio da atenção. Ora, se a questão principal é proteger as crianças do sexo, como fica a cara desses impolutos senadores se os próprios petizes se refestelam em orgia e ainda fazem questão de divulgar? Literalmente, é muita sacanagem o que fizeram esses meninos com nossa sociedade tão moralizada, tão pura, tão virtuosa e tão digna!

De qualquer forma, enquanto o impacto da notícia não passa, pode-se adaptar o material da campanha da pedofilia para outros objetivos não menos nobres:

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quarta-feira, 20 de maio de 2009

O muro da ignorância

Agora tem esse negócio aí de cercarem as favelas do Rio para se "preservar a natureza". É o governador do Rio, Sérgio Cabral, que está por trás disso. Como é que um político pode estar em cima do muro e atrás dele ao mesmo tempo? Diz que é para impedir a expansão da favela Dona Marta, zona sul. O muro atende pelo nome de "Ecobarreira", para a gente deixar de ser besta. Diz também que é para proteger a floresta do avanço favelístico e - "principalmente" - para "enfrentar o tráfico de drogas e as milícias, impondo limites ao crescimento desordenado". O que os fuzis não conseguiram durante cinqüenta anos, um muro de três metros de altura vai conseguir, claro. Por que não pensaram nisso antes? Vai ver que teve alguém que pensou, mas pode ser que o cara tenha morrido antes de falar, por conta de uma bala perdida. Pelo menos o diabo da bala foi encontrada.

Agora vem minha crítica, dá licença!

Vem o líder comunitário concordando com esse troço, acreditanto de verdade que o negócio vai mesmo proteger o verde das florestas, as aves em festa, o sol a brilhar, a brisa amiga, a fonte que corre ligeira a cantar. Que vai combater a criminalidade, a violência, a pobreza... Fala sério!

O infeliz nem desconfia de que isso é coisa de político pilantra que não tem o menor interesse em acabar com as favelas, com a pobreza, com a violência, nem em proteger a natureza, porque ele não passa de um reles representante de uma classe que vive política e financeiramente às custas dessa mesma pobreza, dessa mesma favela, da violência e da depredação do meio ambiente: a burguesia brasileña. Em português mais claro, não querem mudar nada, não! Querem é manter esse estado de coisas, pois tudo isso é efeito direto do sistema de dominação e exploração do qual não abrem mão.

O idiota do líder comunitário nem desconfia que, se quisessem mesmo acabar ou simplesmente conter o avanço das favelas, a classe dominante e o Estado que ela comanda simplesmente destruiriam os barracos e construiriam prédios suficientemente decentes para um ser humano morar, liberando espaço livre para as crianças brincarem e para a natureza ficar em paz com sua exuberância.

O estúpido, covarde e submisso líder comunitário não sabe que o muro que estão construindo não é para preservar a mata, mas para preservar a própria favela.

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Não falo de mim,
mas do mundo,
bem mais importante
e interessante.
Quiçá, mais bonito :Þ

 

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