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Blog by Dani
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Como era se esperar, a Universidade Bandeirante decidiu expulsar a aluna Geysi (Geisy?) Arruda. Ela fazia curso de Turismo e, em outubro passado, sofrera assédio dos colegas que estudam e achincalham no próprio campus. Tudo por ela ter ido à faculdade com um vestido curto. Heitor Pinto Filho, reitor da Uniban, foi candidato a vice de Maluf na eleição de 2002. Isso explica muita coisa. Mas não tudo. O que explica mesmo a expulsão da garota é o fato de a Uniban ser uma empresa privada que tem por objetivo primeiro dar lucro e não ensino. Essa é sua ética, essa é sua moral, esse é seu Direito, essa é sua justiça. A presença de Geisy passou a ser incômoda porque expunha de forma negativa a imagem da universidsade e isso é fatal para uma empresa no mercado. Sem falar que Geysi passou a ser uma denúncia explícita, quase nua, contra o tipo de formação humana oferecida nas dependências daquela universidade particular. Fosse uma escola pública, seus dirigentes e seus alunos não seriam tão reacionários. Os primeiros, porque os interesses financeiros não prevaleceriam na análise do fato e na decisão. Os últimos, porque muitos deles não viriam de famílias que dão mais valor ao que as pessoas usam do que ao que pensam, nem estariam revoltados por não poder tomar uma cerveja depois da aula porque tiveram que deixar na bilheteria da faculdade quase todo o dinheiro que seus pais ganham no mês. A verdade é que a Uniban ficou manchada para sempre com a perseguição de seus alunos a Geysi. E também com sua expulsão, que acabou por dar contornos nítidos, finais e inequívocos do caráter reacionário, atrasado, vergonhoso e inescrupuloso da direção daquela entidade capitalista de ensino. Dizem que a melhor forma de ensinar é dar exemplos. Os alunos da Uniban aprenderam bem a lição dos gestores da Uniban. A caça às bruxas voltou, está liberada. Geysi deveria dar graças a Deus por não ter que ficar para terminar a lição que seus ex-colegas aprenderam. Marcadores: Geysi Arruda, Uniban
Eu me dirigiria à Universidade Bandeirantes, procuraria a professora de Sociologia com quem teria marcado um horário para falar sobre a agressão à aluna do vestido curto, me mandariam aguardar numa sala de aula vazia e lá encontraria o Valmir limpando o chão.
Oi, Valmir! Tudo bem, meu amigo? Há quanto tempo! Bom te ver!
Tudo certo. Batendo uma bolinha de vez em quando. Vim fazer uma entrevista com uma socióloga daqui da Uniban sobre o negócio da agressão à Geyse Arruda, a aluna do vestido curto.
Por quê?
Vou pedir para ela falar sobre o que aconteceu. Tentar explicar a coisa.
Ah, é? Então me explica, que até agora não entendi o que aconteceu. Por que toda aquela confusão por causa de um vestido curto?
Três-meia-zero?
Tudo veado? Mas os caras são musculosos, não parece...
Porra, Valmir, você fala umas coisas... você é muito preconceituoso. Se fossem donzelas, eles não usariam aquelas tatuagens de cabra macho?
A coisa não é assim. Às vezes o cara só quer aparecer, ficar bonito na foto, só isso. Tem gente que acha bonito pintar aquela merda na pele, ué! Aí põe a porra da tatuagem.
Você tá falando muita merda, Valmir. E as meninas? Porque chamariam a outra de puta gratuitamente?
Não pode ser só isso.
Tá bom, Valmir. Acho que a professora não vem mesmo.
Valeu, meu irmão. Aquele abraço.
Sai fora!
Marcadores: histeria coletiva, puta, Uniban, vestido curto
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Além, muito além daquela estrela que azula no universo, nos cafundós dos céus, no quinto dos espaços siderais, havia um planeta que girava e se esquentava em torno de uma bolona de fogo. Esse planeta era chamado Guerra. Tinha esse nome porque seus habitantes viviam guerreando entre si.
Tanto brigavam que os habitantes dos planetas vizinhos falavam para eles, em guerrês: "Puxa vida! vocês vivem em guerra, hein!". E eles respondiam: "Vocês queriam que vivêssemos onde, mané? E vê se não torram a porra do saco!"
Apesar da eterna beligerância, a cada metade de oito anos havia uma trégua. Os jogos de guerra dava lugar à guerra dos jogos. Era o ano das Olimpíadas no planeta Guerra.
Havia os países ricos e os países pobres, e os jogos eram sempre feitos nos países ricos.
Até que um dia uma cidade chamada Riu, ex-capital de um país de segunda, foi a escolhida para sediar os Jogos Olímpicos daquele esquentado planeta. Embora conhecida como "Cidade Espetaculosa", a urbe era coberta de miséria e pobreza por todo lado, de cima a baixo, de fora a fora. Os morros, principalmente, eram tomados de pobres e favelas, como era conhecido o amontoado de barracos onde vivia a pobreza.
O povo todo, tanto os ricos como os pobres, incluindo os remediados, todo mundo ficou muito feliz com a escolha da cidade porque ela seria a primeira de um país mulambento a sediar os jogos em toda a história do planeta Guerra. Assim, foi todo mundo sambar no asfalto.
Acontece que o velho líder dos pobres reuniu o povo todo na praça e falou:
Um rapazote interrompeu o velho líder:
O velho respondeu:
O morador K. Brito ponderou:
Com toda sua experiência, temperança e astúcia, o ancião respondeu:
Um outro rapazote protestou:
O velho, com paciência e ponderação, falou pausadamente:
E assim ficou determinado. Depois de comunicar a decisão ao seu povo, o velho líder escolheu uma criança do sexo masculino como emissário para comunicar a decisão ao prefeito e ao chefe do Comitê Olímpico Nacional.
O garoto dirigiu-se ao Palácio dos Podres Poderes onde se encontravam aquelas autoridades e repassou a decisão do líder dos pobres.
O prefeito voltou-se para o menino:
O menino respondeu:
Naquele ano não houve paz nem Jogos Olímpicos no planeta Guerra. A guerra continuou e ninguém nem reparou. E a cidade chamada Riu nem chorou. Marcadores: jogo olímpicos, Olimpíadas
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
1. Podofilia Mulher é um bicho gostoso, mas muito esquisito. Não sei se foi o preço do calçado que caiu, se o poder de compra que subiu, se é a moda ou simplesmente elas resolveram subir nas tamancas, o fato é que a mulherada deu de andar de salto alto em tudo quanto é hora e lugar. No trabalho, nos bares, nos lares, nos angares, em todos os lugares. Coisa de doida! Antes usado em ocasiões especiais, hoje o salto alto virou pulo de dez em onze mulheres que tropeçam por aí. Cena 1: estou eu indo comprar o jornal na banca da praça onde jurei, um post atrás, não comprar nunca mais uma gazeta nos próximos vinte anos, e eis que me deparo com uma idosa sendo socorrida pelas pessoas, inclusive pela dona da banca, que não vale nada mas eu gosto de você. Não sei se se chamava Terezinha de Jesus, mas o fato é que levou queda e foi ao chão, e chorava de dor, coitada! Um outro idoso é que me chamou a atenção quanto à cauda do zombo, digo, causa do tombo: "pudera! com uma plataforma daquele tamanho!" Não é que a idosa estava andando com uma sandália de plataforma!? Fala sério, vovó! Sena 2 (em homenagem a Sasha): no centro de Vitória, indo para o trabalho, reparo várias mulheres de salto alto pelas ruas. Não é da minha conta, mas como têm coragem de usar salto em vias e calçadas com as de Vitória, onde não dá para andar nem de botas? Só tatu de chuteiras consegue andar à vontade aí. Vocês é que não conhecem! Então. De repente, repouso meu olhar sobre uma menina que caminhava se contorcendo a cada passo, a cada irregularidade no piso. Estava de salto alto, coitada. Outra coisa: o traje e o local não tinha nada a ver com o pisante. Não se iludam, meninas! Homens não entendem de moda, mas não superestimem nossa inguinorança no assunto! Posso assegurar que qualquer um de nós sabe perfeitamente que mochila, camiseta e bermuda não combinam com scarpin preto envernizado e salto alto. Fala sério, mulher errada, digo, mulherada! E lá ia ela, toda torta, tombando para lá e para cá, a cada buraco, a cada fenda, a cada passo em falso, a cadafalso. Meninas, cuidem de seus pés, tornozelos, colunas e do próprio andar. Deixem a vaidade um pouco de lado quando ela não faz bem ou quando ela já não consegue manter vocês descansadas ou mesmo de pé. Não comprem toda idéia e todo sapato bonito que vocês veem pela frente. Se comprá-los, saibam onde usá-los. Na dúvida, poupem tostões e torções. No escuro, todos os gastos são perdas. 2. Pedofilia Tô para dizer que essa campanha contra a pedofilia está levando a uma histeria hipócrita, demagógica e sem sentido. Tem servido para muitos políticos religiosos, pricipalmente evangélicos (vide o senador magna malta, digo, Magno Malta), angariarem votos dos crédulos. Será que esse pessoal defende mesmo as criancinhas? Eu não apostaria nisso, nem de longe. Trago comigo uma sábia advertência: se, à noite, você for assediado por um homem com uma arma na mão, negocie; se o que ele trouxer na mão for uma bíblia, cai fora! Se eles querem mesmo proteger as crianças, porque então não garantem emprego e salário decente a seus pais, evitando que caiam na prostituição? Porque não combatem as causas da pedofilia em vez de ficarem alardeando suas consequências em busca de projeção e popularidade em cima da desgraça dos pequenos? Uma família estruturada não cai na mão de pedófilos sem-vergonhas. Todos estão embarcando nessa onda. Tarados, pervertidos, mal-amados, pastores, padres, delegados, juízes... Esse senador Magno Malta se apresenta à nação como combatente contra a pedofilia. Tudo bem. Mas ele apareceu no escândalo do Senado dando emprego para um músico do seu grupo gospel de merda. Dinheiro do contribuinte. Seduzir, bolinar e estuprar crianças é abjeto, claro. Mas botar no cu dos pais delas pode? Então tá, satanás! Vejam agora esse caso do pai italiano acusado de assediar sua própria filha. Se a questão era proteger a menina, porque o casal que o acusou não vai agora consolá-la de seu desespero de ver o pai preso e de sua aflição de ficar longe dele? Cambada de moralistas hipócritas vagabundos. Odeio essa gente estandarte da moral e dos bons costumes. Marcadores: moralismo, pedofilia, salto alto
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
E aí, Belchior?! Sumido, hein, camarada! Vai uma entrevista?
Como chegou aqui no Uruguai?
Direto?
Junto com a esposa.
Estão falando de você o tempo todo no Brasil, do seu sumiço...
E por que decidiu vir logo para o Uruguai?
E essa roupa que você está usando, esse frio todo?
E vai ficar para sempre por aqui?
Não volta mais para o Brasil?
Esse frio não te faz pensar?
E a que conclusão você chegou?
Fique em paz, Belchior. Eu vou indo. Um abraço cálido.
Obrigado pela entrevista, Belchior! Você responde às perguntas como que por música!
Marcadores: Belchior, entrevista.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Acontece que diariamente eu ia à banca de jornais da pracinha para comprar a gazeta do dia. Bem, eu poderia fazer assinatura do jornal para gastar menos, mas gostava de aproveitar a ida à padaria e ler o jornal pela rua, na volta. Além do mais, eu estava ajudando alguém que trabalhava e nunca li em nenhuma edição a notícia de que eu tinha sido atropelado.
Mas já tinha ouvido falar que a dona da banca era uma piranha que dava para todos os homens do bairro. Isso jamais me incomodou. Eu pagava, ela me tratava com carinho e me dava a única coisa que eu queria dela: o jornal.
Até que um dia eu cheguei com o meu jeito de sempre chegar, estendi a mão com o dinheiro. Nem precisava dizer qual jornal eu queria, ela já sabia. Fiquei aguardando. Ela já ia pegando o tablóide para mim, quando um senhor que eu nunca havia visto por lá, passou sua mão contendo 1 real por cima da minha e pediu a Tribuna. Vocês acreditam que ela largou meu jornal para atender o infeliz?
Bem educado que sou, fiquei na minha, calado em minha ira. O cara ainda comentou alguma coisa com ela sobre e por trás de mim, ao que ela respondeu: "Não esquenta, não! Esse aí é sangue bom!"
Sangue bom o cacete! Meu sangue é A+ e já tive hepatite.
Resumo da história: nunca mais apareci por lá para comprar o jornalzinho da coroa de programa, com todo respeito a quem se prostitui. Como disse ontem mesmo um amigo meu, as prostitutas servem para evitar que as filhas de quem as condena sejam estupradas. Gostei da definição.
Até fiz as contas. Se eu ficar 20 anos sem comprar o jornal dela, como estou pensando, ela vai deixar de receber exatos R$ 11.320,00.
Mas isso é só na hora da raiva. Daqui a pouco eu volto a comprar jornal com ela. Vinte anos não demoram tanto assim :)
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Ana Paula Padrão! Como você está, menina!?
É? Que prêmio?
Jura? Nem acredito! (risos)
Ah, isso é tranquilo! Se você noticiar que eu morri, eu me enterro na mesma hora! Você é uma literal "paulada" na concorrência!
Acho que é porque a mentira é feia, não?
Seu jeans também! (risos) Tudo bem! Vamos lá! Agora é que você vai falar umas verdades! (risos)
Você nasceu no dia de Natal, em Brasília, não é?
Por nada. A entrevista não começou ainda. Foi só para eu saber seu signo. Sagitário. Quando você trabalhou na Globo, você foi escalada para cobrir a guerra do Afeganistão, não foi?
Mas logo você? Não tinham um canhão na redação? (risos)
Boa, boa. E por que você saiu do SBT?
Já pensou em abrir seu próprio jornal? O que você diria de Ana Paula patrão?
Já disseram que você se parece com a Maga Patalójika?
Não.
Não.
Não.
Você enfeitiça.
Beijinho
Marcadores: Ana Paula Padrão, entrevista
Salve, Chico!
Amigo, há quanto tempo!
Posso sentar um pouco?
Para dizer a verdade, estava à toa na vida aí me chamaram para fazer essa entrevista. Agora sou jornalista. E você, como está?
Grande Julinho de Adelaide! Onde você arranjou esse nome?
E conseguiu!
Não! Acho que vou cortar essa sua resposta! (risos)
Temos duas coisas em comum, Chico. Fizemos Arquitetura...
Sei disso! A música e a poesia agradecem o abandono! ...e somos tricolores! Sou branco, de cabelos pretos e a barba ruiva, se deixar crescer, e você é branco, de olhos verdes e cabelos castanhos (risos))
E como andam as peladinhas de sábado à tarde?
E aquela mulher que você pegou no mar?
Tudo bem, Chico. Então vamos mudar de assunto. O Collor está voltando, você viu?
Chico, me diga por que a mídia tanto bate em Lula e ele nem tchum? Continua lá em cima nas pesquisas e o povo apoiando.
Caramba! Que bonito! Isso daria uma música, sabia?
Você se acha tímido?
Chico, para não dizer que não falei de valores, você e Vandré protagonizaram dois embates musicais gigantescos, um em 1966 e outro em 1968. A Banda contra Disparada, depois, Sabiá e Caminhando.
Por falar nisso, Zuza Homem de Mello disse que A Banda havia vencido o festival por 7 a 5 e que você foi até a comissão dizendo que não aceitaria a derrota de Disparada. É vero?.
Quando você e Vandré falam do povo, acho que são visões totalmente diferentes do assunto, apesar de ambos estarem do lado dele.
Acho que você vê o povo de maneira parternalista e Vandré, revolucionária. Seu trabalhador é passivo, o de Vandré, ativo; Seu trabalhador é lírico, o de Vandré, heróico. Você tem uma inveja dessa gente que vai em frente sem nem ter com quem contar; para Vandré, essa gente não é boi, mas boiadeiro laço firme e braço forte de um reino que não tem rei; para você, Pedro pedreiro penseiro fica esperando o trem; para Vandré, esperar não é saber, quem sabe faz a hora, não espera acontecer. O que você me diz?
Grande Chico!
Marcadores: Chico Buarque, entrevista, festivais, Geraldo Vandré
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Marcadores: Coisas de criança, donald zolan, gravuras
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Boa tarde, Lavínia! Vamos começar a entrevista?
Tudo certo! Então você é uma garota de programa?
O que te fez optar por essa carreira tão dadivosa?(risos)
Não te incomoda ficar dando para qualquer um?
E quando foi que você entrou nessa vida?
Não sei. Você que está dizendo. Vocês que são mulheres que se entendam. Mas esse negócio de toda mulher ser libidinosa está mais para um desejo do homem do que da própria mulher, não?
Lavínia é seu nome verdadeiro?
Porque as garotas de programa têm nome de guerra?
E por que exatamente esse nome? Tem algum significado?
E qual o seu verdadeiro nome?
E quanto você cobra por programa?
Acabou com a entrevista, sua... fofa!
Marcadores: entrevista, garota de programa
terça-feira, 14 de julho de 2009
Sr. Mainardi, vai uma entrevista para o Blog Kálido?
Um gravador.
Ah, é um blog que eu tenho. Mas não se preocupe, que ninguém lê; e quem lê não comenta; e quem comenta não volta; e quem não volta...
O que você faz da vida, Sr. Mainardi?
Não vejo a Veja, nem leio. Então é lá que o senhor fala mal de tudo e de todos, especialmente do Brasil e dos brasileiros?
Não. O senhor diz que brasileiro é atrasado, mal-educado, não inventa nada, não produz arte, não produz ciência, não entende de medicina, de literatura, não sabe nada, é um povo ignorante, estúpido...
É vedade! Não leio, não vejo, nem escuto. Peguei umas coisas na internet para fazer a entrevista, só isso, Sr. Mainardi. O senhor falou mal até de Santos Dumont, não foi?
Então, de qualquer forma, o senhor admite que ele era bem avoado. O senhor falou mal também do Chico Buarque de Hollanda, recentemente.
Fraude por quê? Porque ele se diz de Holanda e é do Brasil?
É, não tinha reparado. Que nem aquela porcaria do Shakespeare, que só falava de reis e rainhas, não é verdade? Balzac é outro. Sá falava da sociedade parisiente
Rapaz, ainda bem que você nunca falou mal de mim!
Pô, obrigado, Sr. Mainardi! Só um porém: porque o senhor fala mal dos brasileiro sendo brasileiro?
Voltando ao assunto do pau que dá em Chico dá em Francisco, para criticá-lo, o senhor deve ter um obra literária melhor do que a dele, suponho eu, em minha alegre, pura e besta ignorância.
Desculpe, mas que obra é essa?
Uau! Anta sou eu, que nunca a li, senhor Mainardi. O senhor é um gênio da literatura brasileira!
Desculpe. De que forma o senhor quer que eu chame o senhor?
Marcadores: Diogo Mainardi, entrevista
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Fala, FHC! Como anda essa vida de vagabundo, digo, de aposentado?
Eu também, mas gosto também de fazer entrevistas grandiosas. Uma hora eu acho alguém.
Você e Serra formam uma dupla porreta, hein! Você propondo a liberação da maconha e o Serra proibindo fumar em locais públicos. Isso é combinado, não? Fala a verdade!
a crise econômica mundial arrebentou com você, não?
Estou falando das suas idéias, não do seu dinheiro. Socorro do Estado para salvar empresas que iriam salvar a economia, estatização de bancos e de megaempresas. E tudo isso na capital do capitalismo. Pirou o cabeção, né, ô liberal!?
O que você tem a dizer de seu sucessor, o Lula?
Quem faz as perguntas sou eu, mas a minha tese é de que você foi um presidente metido a besta e Lula uma besta metido a presidente. Uma besta presidente é muito mais popular do que um presidente besta, você não acha?
Você pensa em voltar à presidência?
E você acha que conseguiria os votos?
Você acha que a pesquisa sobe a serra, digo, o Serra sobe na pesquisa?
E sua filha fora do casamento? Porque a imprensa, os jornais, ninguém fala sobre isso?
Ok. Eu já estou indo. Obrigado pela entrevista. Tenho uma outra agora. Estou fazendo um conjunto de entrevistas sobre as relações de poder.
Uma garota de programa. Vai ser foda. Tchau. Marcadores: entrevista com fhc, neoliberalismo
Oi, Sarney! Como vai, rapaz!
Assim, Sarney, ó! Dou um passo, depois dou outro e por aí vou!
...ah! Ando correndo muito, Sarney. Vamos logo para a entrevista? E esses escândalos aqui no Senado? O que Vossa Influência tem a dizer para seus eleitores e meus leitores?
Não seria porque o povo resolveu apresentar agora a conta e Vossa Inocência está na presidência? Qual o problema?
Mas a pressão pode aumentar contra Vossa Resistência.
Mas seus colegas também acusam Vossa Conivência!
Mas Vossa Inadimplência é dono de uma mansão e não declarou no Imposto de Renda!
Vossa Intransigência não teme Agripino Maia, Arthur Virgílio...?
Tá doido? Só se o moleque fosse muito safado.
Eu tava querendo pegar a Jane, mas não sei subir em árvores e ela anda com as macacas! De qualquer forma, Vossa Permanência não acha que deveria haver uma mudança radical no Senado?
Tem ainda a senadora Heloísa Helena? Ela também quer Vossa Insistência saia.
Não, Sarney. Mas o que isso tem a ver?
Ok, Sarney. Agradeço Vossa Eloquência pela entrevista, mas vou ficando por aqui.
Não, não! Estou falando da conversa. Eu vou é rachar fora mesmo!
Marcadores: entrevista, escândalos do senado., José Sarney
Hi, Mike! How doído you do?
Cara, quase não chego! Eu vinha por seu parque, a "Terra do Nunca". Fiquei quatorze anos lá até me dar conta e a volta. Ainda bem que o tempo não passou tanto assim. Vim para uma entrevista, pode ser?
Nem tanto, Mike. How do you se sentido às vésperas da nova turnê pelo world?
Isso mesmo! Descanse em paz e boa viagem para você. Agora me diga: todos sabem das músicas que você canta. Mas quais você ouve? Quais os grupos de sua preferência?
E quanto a Lise Marie? Todos gostariam de saber porque você se separou dela.
Elvis aprovaria esse casamento?
Why você esconde seus filhos das pessoas?
E quando você pendurou seu caçula na janela do Hotel. Você ficou crazy naquela hora, cara?
Legal. Eu vou ficando by here. Já está na hora de ir e seu médico está chegando. Obrigado por tudo.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Não estou indo, Obama! Estou vindo! Difícil chegar aqui!
Estou falando da segurança.
Gostaria de fazer uma entrevista com Vossa Excelência. É sóbrio esse negócio do Irã! Pode ser?
Como presidente dos Estados Unidos, o que tem a falar about o que está acontecendo lá?
Você não acha que houve fraude?
Tell me, você preferiria conversar com Ahmadinejad ou com Mousavi?
Ei, man! Tell me more, tell me more!
Caramba! Bonito isso, Mr. president! Gostei. E sobre Michael Jackson, tem algo a dizer?
Valeu, Obama. Dá um pulinho lá no Brazil, cara!
Se ele aparecer por lá, mando sim. It´s mais fácil você abraçá-lo pessoalmente quando ele pintar por aqui.
Marcadores: Barack Obama, elections., interview, Iran
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Mas minha opinião sobre as eleições do Irã é definida, e é a que segue.
O atual conflito representa uma disputa de poder entre as classes médias e as classes trabalhadoras do povo iraniano. A expressão política desse confronto encontra-se na dissidência entre os aiatolás Rafsanjani e Khamenei, politica e respectivamente representados por Mousavi e Ahmadinejad, ou ao contrário, aqueles representando estes, sei lá, pois líderes espirituais sempre estão à frente de algum interesse, de alguma ideologia. Deus sempre foi laranja do homem, pode ter certeza disso. Pobre da nação cujo senhor é Deus.
A imprensa brasileira e a classe média que representa estão francamente favorável ao oposicionista Mousavi, que levanta suspeita de fraude numa eleição em que o vencedor teve mais de 60% dos votos de um colégio eleitoral de 46,2 milhões de eleitores os quais participaram ativa e massivamente do pleito (tipo os americanos em relação à eleição de Obama). A imprensa brasileña que apóia Moussavi é a mesma que mostrou como golpista a esquerda mexicana que também reclamou de fraude nas últimas eleições, nas quais o candidato da Direita venceu com uma diferença de apenas 1% dos votos. Dois pesos e duas notícias.
Sinceramente, não acredito que houve fraude nas eleições. Não a ponto de alterar o resultado final. Ahmadinejad ganhou por uma diferença muito grande, por isso não dá para a oposição apontar o dedo sujo de tinta na cara dele. Ahmadinejah conta com o ódio de Israel e da classe média brasileira por dois motivos. Respectivamente: por que ele só se curva para Meca e porque se parece com Lula e com Chaves no quesito "você é da ralé".
O fato de muitas seções terem mais votantes do que eleitores cadastrados pode ser porque lá, ao contrário daqui, o eleitor pode votar em qualquer lugar. Então, da mesma forma, deve haver seções com menos votantes do que eleitores cadastrados, pela lógica.
E porque eu acho que o resultado expressou realmente a vontade da maioria do povo iraniano, penso também que Mousavi é o responsável pelo que está acontecendo, exatamente por ser irresponsável a ponto de incitar pessoas desarmadas a enfrentar um regime beligerante a troco de uma ilusão, de uma mentira. Um oportunista que coloca pessoas inocentes na linha de tiro apenas por que quer colocar um aiatolá no lugar de outro e um covarde - ele próprio - no lugar de quem, a meu ver, foi legitimamente eleito. Ou ele pensa que Ahmadinejad vai entregar o poder por causa de acusação de fraude, de manifestações de rua e de "revolução pela internet"?
Comovente esse apego, essa paixão, essa piedade, esse amor e essa solidariedade que a classe média brasileira tem pelo povo cubano, pelo povo venezuelano e, agora, pelo povo iraniano. Nossa! Daria até para me convencer, se eu não já soubesse o ódio que ela sente pelo povo brasileiro, expresso, por exemplo, na odiada, odiosa e previsível cantilena semanal de Diogo Mainardi da revista Veja. Argh!
A pobreza política e cultural da arruinada e endividada classe média brasileira é expressão direta de sua pobreza econômica. O pequeno-burguês admira o burguês porque quer um dia ser igual a ele e odeia o proletário por estar a cada dia mais parecido com este. Marcadores: Ahmadinejad, eleições no Irã, manifestações, Mousavi
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Aconteceu um fato deveras interessante e importante esta semana na mídia escrita, falada, lida e escutada. Em seu blog Fatos e Dados, a Petrobras publicou perguntas de jornalistas endereçadas à estatal, junto com as respostas, antes mesmo que os jornais o fizessem. Foi o maior olé que se viu desde que Pelé deu aquela volta em Mazurkievsky.
E o que isso significa?
Comecemos pelas questões mais importantes e por ela terminemos.
Primeiro.
Esse recurso já está sendo usado. Vejam aqui no Luis Nassif On Line a forma brilhante, polida e educada com que o assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, mandou a Veja e Diogo Mainardi tomarem no cu, utilizando o mesmo método.
Segundo.
Terceiro.
Vamos praticar um pouco.
Há poucos dias, o jornal A Gazeta aqui de Vitória promoveu um fórum para ouvir a opinião dos leitores sobre o veto do governador Paulo Hartung à lei que proibia o fumo em ambientes públicos. Um leitor (sigilo da fonte :) escreveu dizendo que o governador agiu assim porque não conseguiu reunir condições morais e políticas para impedir a poluição tabagista do cidadão comum enquanto permitia que a Vale e a ArcelorMittal Tubarão jogassem toneladas de partículas sólidas sobre os lares e pulmões capixabas.
Então. Foi publicada. Só que os sacanas suprimiram as palavras "Vale" e "ArcelorMittal", poderosas empresas da mineração e siderurgia e clientes de publicidade do jornal.
Portanto, não fosse este exemplo de "meta-imprensa" e isso não se tornasse público como agora faço, talvez você não entenderia bem porque essas duas empresas poluem impunemente o meio ambiente capixaba há décadas e vão continuar fazendo isso décadas afora por mais que o governo do Estado e o jornal A Gazeta digam combater a poluição.
Se você pensa que um jornal não se vende, que só vende espaço no jornal, saiba que o jornal é o próprio espaço que ele vende. Capitou?
terça-feira, 2 de junho de 2009
Marcadores: Air France., voo AF 447
terça-feira, 26 de maio de 2009
Aqui perto, em Aracruz, teve o caso do vídeo pornográfico feito por estudantes menores. Três meninas e um menino da escola Misael Pinto Netto foram protagonistas de um filme porno-infantil, vê se fode um negócio desse, digo, vê se pode um negócio desse! Parece que há participação de outros dois menores. A mulher que denunciou o caso diz que está sendo ameaçada de morte. A filha dela estuda na mesma escola dos jovens que filmaram as cenas de sexo feitas por eles mesmos.
Segundo a imprensa, foram três vídeos feitos e divulgados por meio de celulares entre os estudantes na própria escola. Agora, os vídeos estão correndo a internet, claro.
O problema é o seguinte. Primeiro, que não há muito o que fazer senão despejar moralismo em cima da fodelança infantil que anda solta em praticamente todo o mundo civilizado nos dias atuais, num crescente. Tem acontecido muito. A novidade talvez seja a divulgação por celulares. Acho que esse negócio de as meninas darem para os meninos e os meninos comerem as meninas se dá por dois motivos. Um, pela chamada "grande conquista feminina" de ir para o mercado de trabalho e ter que abrir mão da vigilância sobre os filhos. Mesmo que elas se sintam culpadas, deveriam dizer em alto e bom tom: "conquistei a minha liberdade e, de quebra, a dos meus filhos!". E pelo visto, não adianta nem um pouco dar a eles celulares para tentar vigiá-los de longe. Dois: embora a gravidez na adolescência esteja ainda acontecendo, o controle humano sobre a concepção e as doenças venéreas tornou o sexo, literalmente, uma brincadeira de criança. O sexo se tornou bananal, digo, banal. Agora, não há retorno. O que era certo se tornou retrógrado, e o que era errado se tornou moderno. O que foi santo um dia tornou-se profano e o que era profano é feito todo santo dia.
Segundo, perde um pouco o foco a campanha eleitoreira de políticos oportunistas como a do senador Magno Malta de combate à pedofilia. Não por perda da importância e da necessidade de campanhas desse tipo, mas pelo desvio da atenção. Ora, se a questão principal é proteger as crianças do sexo, como fica a cara desses impolutos senadores se os próprios petizes se refestelam em orgia e ainda fazem questão de divulgar? Literalmente, é muita sacanagem o que fizeram esses meninos com nossa sociedade tão moralizada, tão pura, tão virtuosa e tão digna!
De qualquer forma, enquanto o impacto da notícia não passa, pode-se adaptar o material da campanha da pedofilia para outros objetivos não menos nobres:
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quarta-feira, 20 de maio de 2009
Agora tem esse negócio aí de cercarem as favelas do Rio para se "preservar a natureza". É o governador do Rio, Sérgio Cabral, que está por trás disso. Como é que um político pode estar em cima do muro e atrás dele ao mesmo tempo? Diz que é para impedir a expansão da favela Dona Marta, zona sul. O muro atende pelo nome de "Ecobarreira", para a gente deixar de ser besta. Diz também que é para proteger a floresta do avanço favelístico e - "principalmente" - para "enfrentar o tráfico de drogas e as milícias, impondo limites ao crescimento desordenado". O que os fuzis não conseguiram durante cinqüenta anos, um muro de três metros de altura vai conseguir, claro. Por que não pensaram nisso antes? Vai ver que teve alguém que pensou, mas pode ser que o cara tenha morrido antes de falar, por conta de uma bala perdida. Pelo menos o diabo da bala foi encontrada.
Agora vem minha crítica, dá licença!
Vem o líder comunitário concordando com esse troço, acreditanto de verdade que o negócio vai mesmo proteger o verde das florestas, as aves em festa, o sol a brilhar, a brisa amiga, a fonte que corre ligeira a cantar. Que vai combater a criminalidade, a violência, a pobreza... Fala sério!
O infeliz nem desconfia de que isso é coisa de político pilantra que não tem o menor interesse em acabar com as favelas, com a pobreza, com a violência, nem em proteger a natureza, porque ele não passa de um reles representante de uma classe que vive política e financeiramente às custas dessa mesma pobreza, dessa mesma favela, da violência e da depredação do meio ambiente: a burguesia brasileña. Em português mais claro, não querem mudar nada, não! Querem é manter esse estado de coisas, pois tudo isso é efeito direto do sistema de dominação e exploração do qual não abrem mão.
O idiota do líder comunitário nem desconfia que, se quisessem mesmo acabar ou simplesmente conter o avanço das favelas, a classe dominante e o Estado que ela comanda simplesmente destruiriam os barracos e construiriam prédios suficientemente decentes para um ser humano morar, liberando espaço livre para as crianças brincarem e para a natureza ficar em paz com sua exuberância.
O estúpido, covarde e submisso líder comunitário não sabe que o muro que estão construindo não é para preservar a mata, mas para preservar a própria favela.
Marcadores: Ecobarreira, favelas do rio, floresta urbana, muro
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Não falo de mim,
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